7 coisas simples em PHP que alguns ainda complicam

Post original por garotosopa: http://garotosopa.wordpress.com/2009/05/30/7-coisas-simples-em-php-que-alguns-ainda-complicam/

É comum ver scripts com dezenas de linhas de código pra fazer algo extremamente simples. Fica aqui meu apelo desesperado com algumas dicas rápidas.

1. Listar arquivos de um diretório

Se não houver um motivo muito claro pra usar opendir, readdir e closedir (não consigo pensar em nenhum), a forma mais prática de listar o conteúdo de um diretório é com DirectoryIterator:

$iterator = new DirectoryIterator('/var/www');

foreach ( $iterator as $entry ) {
    echo $entry->getFilename(), "
";
}


Se for necessário listar os arquivos recursivamente, percorrendo todos os subdiretórios, é só usar o RecursiveDirectoryIterator junto com o RecursiveIteratorIterator:

$iterator = new RecursiveDirectoryIterator('/var/www');
$recursiveIterator = new RecursiveIteratorIterator($iterator);

foreach ( $recursiveIterator as $entry ) {
    echo $entry->getFilename(), "
";
}

Com um pouco de criatividade, é possível estender essas classes com qualquer lógica facilmente, como por exemplo, para montar uma árvore com a estrutura dos diretórios.

2. Montar e desmontar query strings

Mesmo que menos comum (e menos útil), colocar uma query string numa URL é um trabalho trivial demais pra ser feito com implode, concatenando tudo ou qualquer outro método engenhoso. Desde o lançamento do PHP 5 é possível contar com a http_build_query:

$dados = array(
    'hl' => 'pt-BR',
    'q'  => 'Forgetting Sarah Marshall',
    'testa-escape' => 'acentuação',
);

echo http_build_query($dados);
// hl=pt-BR&q=Forgetting+Sarah+Marshall&testa-escape=acentua%C3%A7%C3%A3o

E o inverso também é possível com as funções parse_url e parse_str:

$url = parse_url('http://www.google.com/search?q=anneke+van+giersbergen&num=50');

parse_str($url['query'], $query);

echo $query['q'];
// anneke van giersbergen

Só fique atento que, por motivos alheios ao bom senso, parse_str por padrão extrai as variáveis no escopo onde foi chamada. É necessário passar um segundo argumento para ter um array gerado por referência, como no exemplo acima com a variável $query.

3. Ler páginas remotas

Dentre todas as implementações, a mais desnecessária costuma ser fsockopen, fwrite, feof, fgets e fclose para ler arquivos remotos por HTTP.

Uma função já resolve:

$contents = file_get_contents('http://php.net/file_get_contents');

Isso é possível graças aos protocol wrappers que encapsulam a lógica de acesso aos respectivos protocolos, tal como HTTP. Esta forma de acesso, no entanto, depende da configuração allow_url_fopen estar habilitada no php.ini (que é o padrão).

Para ler os response headers da requisição, utilize fopen com stream_get_meta_data.

E se um dia você quiser impressionar a mulherada, veja a função stream_wrapper_register para criar o seu próprio protocol wrapper.

4. Submeter dados por post para uma página remota

A coisa fica mais complicada quando o desenvolvedor pensa em usar cURL pra submeter dados por POST para outro servidor. A extensão até tem seu mérito, mas usá-la apenas pra este propósito é um grande equívoco.

As funções que fazem uso dos protocol wrappers aceitam um objeto de stream context, criado pela função stream_context_create, para configurar alguns aspectos do protocolo. As opções de contexto do protocolo HTTP permitem definir, entre outras coisas, o método de acesso (GET, POST, etc) e o conteúdo a ser postado:

$content = http_build_query(array(
    'cidade' => 'Rio de Janeiro',
    'tipo'   => 'Apartamento',
));

$context = stream_context_create(array(
    'http' => array(
        'method'  => 'POST',
        'content' => $content,
    )
));

$contents = file_get_contents('http://exemplo/teste.php', null, $context);

Quando não for necessário ler o retorno da requisição, basta chamar a url com fopen passando o contexto como quarto argumento.

5. Fazer download de um arquivo remoto

Vale lembrar que a maioria das funções de stream e filesystem aceitam URLs completas e fazem uso da abstração do protocolo. O que eu vejo muita gente esquecer é que isso inclui a função copy:

$url = "http://userserve-ak.last.fm/serve/500/4349551/Terri+Clark.jpg";

copy($url, '/tmp/' . urldecode(basename($url)));

O trecho acima vai baixar a imagem remota e salvar no arquivo local /tmp/Terri Clark.jpg. E caso não seja óbvio, “local” se refere a quem está executando o script PHP, que no caso será o seu servidor caso seja um script web, e não o cliente que está acessando pelo browser.

Se o objetivo for realmente repassar o conteúdo remoto para o cliente que estiver acessando pelo browser, o script é igualmente simples:

$url = 'http://userserve-ak.last.fm/serve/500/4349551/Terri+Clark.jpg';

$handle = fopen($url, 'r');

$meta_data = stream_get_meta_data($handle);

// Repassa todos os headers do servidor remoto para o nosso cliente
foreach ( $meta_data['wrapper_data'] as $header ) {
    header($header);
}

// Repassa o conteúdo para o nosso cliente
fpassthru($handle);

Considerando que estamos apenas testando a funcionalidade. Ter um script de proxy totalmente funcional é bem mais complexo, e certamente já tem algo pronto por aí.

6. Fazer cálculo com data

Dentre todas as simplificações possíveis, a que mais costuma comover é a função strtotime. Pra quem já está acostumado, parece que não faz mais do que sua obrigação. Mas pra quem ainda faz cálculos com data multiplicando por 86400, chega a parecer mágico:

echo 'Amanhã: ', strftime('%A', strtotime('tomorrow'));
// Amanhã: domingo

echo 'Próxima segunda: ', strftime('%d de %B de %Y', strtotime('next monday'));
// Próxima segunda: 01 de junho de 2009

echo 'Vencimento: ', strftime('%d/%m/%Y', strtotime('+3 months'));
// Vencimento: 30/08/2009

Mais exemplos você mesmo pode ver no manual do PHP ou na página de Date Input Formats do projeto GNU. Para o nome dos meses e dias da semana ficarem em português, utilize setlocale(LC_TIME, ‘pt_BR’); antes de chamar a função strftime.

7. Escapar sql e html

Felizmente nunca mais vi nenhum script com aberrações anti-sql-injection, mas há algum tempo era possível encontrar pessoas removendo palavras-chave de SQL de todas as strings que íam para o banco de dados. Se o usuário digitasse palavras como select, delete ou drop, elas eram simplesmente removidas da frase. Isso quando o programador não interrompia o script e acusava o usuário de estar tentando explorar alguma falha de segurança. Eu juro, isso existia.

Ao trabalhar com PDO, a melhor opção (pra não dizer a única!) é utilizar prepare e execute pra separar a query em si dos seus parâmetros:

$conexao = new PDO('mysql:dbname=banco;host=localhost', 'login', 'senha');

$uf = 'RJ';
$idade = 18;

$sth = $conexao->prepare('SELECT nome FROM pessoa WHERE uf = ? AND idade > ?');

$sth->execute(array($uf, $idade));

while ( $row = $sth->fetch() ) {
    echo $row['nome'];
}

Se estiver utilizando drivers nativos, veja as funções mysql_real_escape_string ou mysqli_prepare e mysqli_stmt_bind_param, dependendo da extensão. Certamente outros bancos de dados têm a mesma funcionalidade.

A única preocupação é garantir que os parâmetros não se misturem com a query; não precisa inventar moda e remover o que o usuário digitou.

Outra confusão comum é ao escapar HTML. O objetivo é evitar que o texto digitado por um usuário seja interpretado pelo browser de todos os usuários do site.

Conceitualmente, esta é uma responsabilidade da camada de exibição. O template é que deve utilizar htmlspecialchars antes de gerar a saída na tela, e não antes de salvar no banco. Isso garante que o conteúdo que está no banco é fiel ao que foi digitado pelo usuário e pode ser reaproveitado em outras mídias além do HTML.

O que pode e deve ser feito é filtrar conteúdo realmente indevido, como caracteres inválidos ou espaços extras, dependendo da aplicação.

Esta entrada foi publicada em Dicas e marcada com a tag , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

17 pessoas já comentaram! Tá esperando o quê?

  1.  

    cara se precisa colocar um link para twittar deus post! esse ai tem um link gigante!!!

    Utilizando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.5.8 no Ubuntu Linux Ubuntu Linux
  2.  
    @xorna disse:

    Ei… show de bola esse artigo, realmente são coisas "simples" que normalmente muita gente complica :)

    Utilizando Google Chrome Google Chrome 5.0.307.11 no Linux Linux
  3.  

    Muito bom! Tem coisas realmente uteis aí. Valeu!

    Utilizando Android Browser Android Browser no Android Android 2.0.1
  4.  
    Rodrigo Waltenberg disse:

    Ao contrário do que o detector automatico acha, eu to usando o Dolphin Browser e o SO é Android :P

    Utilizando Android Browser Android Browser no Android Android 2.0.1
  5.  
    Roberto Almeida Long disse:

    O DirectoryIterator eu não manjava.

    E o file_get_content então … acionei a CURL exatamente pela necessidade de fazer post.

    Vou mexer no código já !!! =)

    Tks

    Utilizando PHP PHP
  6.  

    Várias coisas que eu ainda não sabia! Muito boas as dicas!

    Utilizando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.6 no Mac OS X Mac OS X 10
  7.  

    Parabéns pelo post :)

    Excelente mesmo.

    Abraços ;]

    Utilizando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.6 no Windows Windows XP
  8.  

    Ótimo post

    Alguns não conhecia, está de parabéns.

    Utilizando Google Chrome Google Chrome 4.0.249.89 no Windows Windows 7
  9.  
    Mingo Max disse:

    Muito bom o artigo! Eu acrecentaria mais coisas aim que muita gente complica, quando pode ser simples, mas já deu para acender a chama da curiosidade e vermos se não caimos em algumas dessas armadilhas!

    Utilizando Google Chrome Google Chrome 4.0.249.30 no Linux Linux
  10.  
    Wanderceslau disse:

    Outra coisa:

    $a = $a + 1; igual $a++;

    Utilizando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.6.3 no Linux Linux
  11.  
    Eduardo Dx disse:

    Parabéns aí pelo Post! Que bom que você voltou a escrever. E só uma dúvida a classe DirectoryIterator já vem por padrão? Caso sim, a partir de qual versão do PHP? vlw xD

    Utilizando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.6.3 no Linux Linux
  12.  
    RobsonB disse:

    Ahh… quanto menor o conhecimento, mais se tenta reinventar a roda, normal… bom post, conteúdo relevante de verdade. :D

    Utilizando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.6.3 no Windows Windows 7
  13.  
    Rafael Jaques disse:

    @Eduardo Dx

    Olha, rapaz…

    A classe é padrão sim, mas não tenho certeza de quando foi implementada…

    Eu sei que tem alguns métodos dela como o getBasename() que só está disponível a partir do 5.2.2.

    Valeu! :)

    Utilizando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 3.6.8 no Mac OS X Mac OS X 10
  14.  
    Oswaldo disse:

    O post é de boa valia, especialmente para iniciantes ou para quem desejar fazer uma peuena avaliação no desempenho do seu site.

    Utilizando Google Chrome Google Chrome 9.0.597.98 no Windows Windows XP
  15.  
    Oswaldo disse:

    Gostaria de saber se a dica sobre o download remoto funcionaria como um update no computador do internauta. Senão, como eu conseguiria fazer isso? Também seria interessante publicar uma forma descomplicada de atualizar arquivos no cliente (valendo a substituição de arquivos, inclusive de executáveis *exe).

    Utilizando Google Chrome Google Chrome 9.0.597.98 no Windows Windows XP
  16.  
    Kowalski disse:

    Muito bom o post. Sempre fiquei intrigado com o uso do cURL. Bom saber que há alternativas!

    Continue com o site, pois apesar de desatualizado, contém muita informação relevante. Parabéns!

    Utilizando Google Chrome Google Chrome 8.0.552.224 no Linux Linux
  17.  
    Fernando Pereira Sil disse:

    Cara, estou há semanas tentando "descobrir" a função 'http_build_query' em vez de implementá-la, porque eu não acreditava que ela não existisse ainda!

    Obrigado pelas dicas!

    Utilizando Mozilla Firefox Mozilla Firefox 7.0a1 no Linux Linux

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong> <pre lang="" line="" escaped="" highlight="">